Nasdaq cai quase 4% com tombo da Intel e temor sobre gastos com IA
Bolsas americanas ampliaram as perdas nesta sexta-feira (30), pressionadas pelo tombo de mais de 31% da Intel e pela preocupação com os gastos bilionários em inteligência artificial.
As bolsas americanas ampliavam as perdas nesta sexta-feira (30), pressionadas pela preocupação com os gastos bilionários em inteligência artificial e pelo prazo para recuperar esses investimentos. A Intel despencava mais de 31% após uma projeção de vendas afetada pela demanda por processadores de computadores e por problemas de fornecimento. Amazon e Alphabet, dona do Google, também recuavam.
Por volta das 15h30, no horário de Brasília, o Nasdaq caía 3,73%, aos 25.207,99 pontos. O S&P 500 perdia 2,42%, aos 7.533,59 pontos, e o Dow Jones recuava 1,43%, aos 51.591,69 pontos, segundo a CNBC.
Intel despenca mais de 31%
As ações da fabricante de chips caíam 31,20%, a US$ 63,35. Segundo Ipek Ozkardeskaya, analista sênior da Swissquote, a demanda por processadores para computadores pessoais e as interrupções na cadeia de fornecimento pesaram sobre as perspectivas da companhia.
O consumo de caixa da Intel também preocupou os investidores. O alerta da fabricante reforçou os temores sobre o custo de construção da infraestrutura de inteligência artificial. O mercado cobra das empresas demonstrações de que os investimentos bilionários poderão gerar retornos suficientes para compensar os gastos.
“A infraestrutura de IA exige um investimento inicial enorme e, embora haja evidências de que a demanda é forte — muito forte —, isso não garante automaticamente retornos atraentes.” — Ipek Ozkardeskaya, analista sênior da Swissquote
Amazon recua apesar do crescimento da nuvem
As ações caíam 2,42%, a US$ 237,90. A receita da AWS, que fornece infraestrutura de computação para outras empresas, cresceu 39% em relação ao ano anterior, mas os investimentos necessários para sustentar a expansão pressionaram a geração de caixa.
O fluxo de caixa livre da Amazon ficou negativo em US$ 42,4 bilhões. O indicador, que mede o dinheiro que sobra das operações após os investimentos, considera os 12 meses encerrados em setembro. Um ano antes, a empresa havia registrado geração positiva de US$ 14,8 bilhões.
Outros negócios da Amazon também decepcionaram. Segundo a XP, em análise de Raphael Figueredo e Maria Irene Jordão, o lucro por ação ajustado ficou 4,1% abaixo do esperado. A antecipação do Prime Day para o segundo trimestre prejudicou a comparação das vendas do varejo. Para os analistas, a operação de nuvem está cada vez mais forte, mas os demais negócios enfrentam instabilidades.
A publicidade da Amazon perdeu ritmo, segundo a Swissquote. Ozkardeskaya aponta crescimento de 12% na atividade, ante 26% no trimestre anterior. A analista também vê riscos nos assistentes de compras com IA, que permitem pesquisar e comparar preços em diferentes lojas e podem reduzir tanto as vendas na plataforma quanto a exposição dos consumidores aos anúncios patrocinados.
Alphabet sofre com gastos elevados em IA
As ações da dona do Google recuavam 2,20%, a US$ 277,57, após queda superior a 13% na quinta-feira. Segundo Ozkardeskaya, o crescimento de 103% da receita do Google Cloud foi ofuscado pela decepção com os negócios de buscas e publicidade.
Os investimentos da Alphabet mais que dobraram no trimestre. Segundo o Itaú BBA, em relatório liderado por Stephano Gabriel, os desembolsos chegaram a US$ 51,4 bilhões, enquanto o fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 9,1 bilhões. A receita das buscas cresceu 12%, abaixo dos 17% registrados no segundo trimestre.
Gastos bilionários aumentam preocupação
Amazon, Google, Microsoft e Meta investiram juntas mais de US$ 200 bilhões no terceiro trimestre. Segundo Ozkardeskaya, o volume elevado de desembolsos aumenta a preocupação com a capacidade de financiar a expansão da inteligência artificial. Com o caixa pressionado, cresce a necessidade de recorrer a empréstimos e à emissão de ações.
Na avaliação da analista da Swissquote, os custos de financiamento podem comprometer novos investimentos. O risco é que juros e despesas com dívidas consumam uma parcela maior dos recursos gerados pelas empresas, deixando menos dinheiro disponível para novos projetos e para o pagamento de obrigações.
O UBS também alerta para o risco de excesso de investimentos. Em relatório liderado por Ulrike Hoffmann-Burchardi, o banco aponta a possibilidade de uma “indigestão” dos gastos com IA, situação em que a expansão da infraestrutura ocorre mais rapidamente do que a capacidade das empresas de transformá-la em receitas e lucros.
Apesar dos riscos, o UBS continua positivo em relação às grandes empresas de tecnologia e fabricantes de semicondutores. A casa recomenda distribuir os investimentos entre diferentes setores e regiões e incluir títulos de dívida de boa qualidade nas carteiras, diante das incertezas sobre o retorno dos gastos com inteligência artificial.
