Gears of War: E-Day teria custado US$ 500 milhões e vendido apenas 400 mil cópias
Segundo relatos, Gears of War: E-Day teve orçamento de US$ 500 milhões e vendeu pouco mais de 400 mil cópias entre console e PC.
Gears of War: E-Day teria custado US$ 500 milhões para ser produzido, em meio a relatos de que vendeu apenas pouco mais de 400 mil cópias. O jogo de ação da The Coalition foi lançado exclusivamente para Xbox Series X, Xbox Series S e PC, depois que a Microsoft seguiu o caminho da exclusividade em consoles com a chegada de Asha Sharma como CEO da Xbox. Por ser um título dos estúdios Microsoft, E-Day também chegou no primeiro dia ao serviço de assinatura Xbox Game Pass.
Nesta semana, o site The Verge reportou que E-Day vendeu mais de 400 mil cópias entre console e PC. Esse é um número fraco de vendas para qualquer jogo triplo-A do porte e do prestígio de Gears of War, mas a situação comercial pode ser ainda pior para a Microsoft e a The Coalition, dado o orçamento extraordinário de E-Day.
O repórter da Bloomberg Jason Schreier confirmou os relatos recentes sobre o orçamento de E-Day em um vídeo em que comentou o cancelamento de Mass Effect 5 e o fechamento da BioWare. “Acabamos de ver Gears of War: E-Day custar US$ 500 milhões para a Xbox. E esse é um número real. É real”, disse Schreier. “É disso que estamos falando aqui. É o que os jogos [triplo-A] custam para serem feitos, especialmente na América do Norte hoje em dia. E isso está levando essas empresas de games a fazer demissões, a cortar custos, a mover o desenvolvimento para fora da América do Norte em muitos casos e a focar apenas nas maiores franquias, que tenham o menor risco possível.”
O número de US$ 500 milhões para E-Day foi reportado primeiro pelo Kotaku, que afirmou que o valor era anterior aos custos de marketing. A IGN procurou a Microsoft para comentar na ocasião, mas a empresa ainda não respondeu. O valor torna E-Day um dos jogos mais caros já produzidos, chegando ao dobro do custo de alguns rivais. O shooter de extração Marathon, da Bungie, lançado recentemente, teria tido um orçamento de mais de US$ 250 milhões, por exemplo. O acordo inicial de desenvolvimento de Concord girava em torno de US$ 200 milhões, segundo um relatório do Kotaku. Em 2023, documentos enviados como parte do processo da Xbox na Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) revelaram acidentalmente que The Last of Us: Part II e Horizon Forbidden West custaram mais de US$ 200 milhões cada um para serem desenvolvidos. No ano passado, os orçamentos astronômicos de desenvolvimento dos jogos Call of Duty foram revelados pela primeira vez depois que um documento judicial confirmou que a Activision investiu US$ 700 milhões só em Black Ops Cold War, embora esse valor cubra todo o ciclo de vida do shooter.
Em 13 de outubro, uma semana após a data oficial de lançamento de E-Day, Rhys Elliott, da Alinea Analytics, estimou que o jogo havia gerado US$ 42,1 milhões em receita, tendo vendido 311 mil cópias entre Steam e Xbox. Ele também apontou um impulso nas assinaturas do Game Pass que parece ter sido resultado do lançamento de E-Day, embora tenha lamentado a falta de uma versão para PS5, que poderia ter gerado mais receita.
Uma questão que a Microsoft pode ter em relação a Gears é o impacto no Game Pass. Ele teria causado um impacto grande o bastante no serviço de assinatura para compensar a receita decepcionante de vendas? Com um orçamento na casa dos US$ 500 milhões, Gears of War: E-Day pode algum dia ser considerado lucrativo? Ao comentar as dificuldades financeiras contínuas da Xbox nesta semana, Sharma citou Minecraft e World of Warcraft Forever como recordistas e a aclamação da crítica recebida por Call of Duty: Modern Warfare 4. Nenhuma menção foi feita a Gears of War: E-Day.
E o que tudo isso significa para o futuro da franquia? No início deste mês, o chefe da The Coalition respondeu a relatos de que funcionários do estúdio temiam perder seus empregos em meio aos cortes contínuos na Xbox, prometendo que o próximo jogo de Gears não levaria tanto tempo para ser feito. O Eurogamer havia reportado uma preocupação interna de que demissões atingiriam a The Coalition após o lançamento de E-Day. “O clima é certamente de ‘não vamos celebrar o jogo até estarmos três meses após o lançamento, só por precaução’, o que é muito incomum”, disse uma fonte ao site. “Estamos apenas esperando a próxima onda [de demissões], ou sermos reorganizados sob a Activision ou algo assim ainda este ano”, afirmou outra. O “reset” de Asha Sharma, CEO da Xbox, no negócio de games da Microsoft já resultou em quase 2.000 pessoas demitidas neste ano fiscal, com mais por vir. Diversos estúdios deixaram o negócio ou estão em processo de fechamento. A Microsoft também reorganizou seus estúdios, colocando a Rare, desenvolvedora de Halo e Sea of Thieves, sob a Activision, desenvolvedora de Call of Duty, e a Obsidian, desenvolvedora de Grounded, sob a Bethesda, desenvolvedora de Fallout.
O chefe do estúdio The Coalition, Mike Crump, disse recentemente à BBC que o sucesso de E-Day vai além das vendas: “Medimos coisas como: estamos exibindo a plataforma? Estamos levando o hardware ao limite? Estamos mostrando do que o Xbox é capaz? … Nosso objetivo basicamente é ser o jogo mais bonito do Xbox e realmente mostrar à indústria o que é possível com o nosso hardware.”
