Diretores de Forgotten Island revelam influência do Studio Ghibli em novo filme da DreamWorks
Em entrevista, Joel Crawford e Januel Mercado contaram como Spirited Away e o Studio Ghibli inspiraram Forgotten Island, longa da DreamWorks sobre mitologia filipina que estreia em outubro de 2026.
Os diretores de Forgotten Island, Joel Crawford e Januel Mercado, conversaram com Tyler Treese, do ComingSoon, sobre o novo filme de fantasia da DreamWorks. A dupla falou sobre as raízes pessoais da história, a incorporação da mitologia filipina e a influência do Studio Ghibli no projeto.
O longa será lançado exclusivamente em plataformas digitais em 27 de outubro de 2026 e chegará em 4K UHD, Blu-ray e DVD em 1º de dezembro de 2026.
Segundo a sinopse oficial, "na última noite antes de seguirem caminhos diferentes na vida, as melhores amigas Jo e Raissa encontram um portal misterioso que as transporta para Nakali, uma ilha mítica repleta de criaturas mágicas que aprenderam a conhecer com suas famílias filipinas. Enquanto procuram uma forma de voltar para casa, Jo e Raissa descobrem que suas memórias estão em risco. Será que elas encontrarão uma maneira de escapar da ilha antes de esquecerem uma à outra para sempre?"
Sobre o estilo visual
Crawford explicou que a equipe sempre busca uma razão por trás das escolhas visuais. Segundo ele, em Puss in Boots: The Last Wish, o objetivo era retratar um gato que vivia uma vida de conto de fadas, alheio à própria mortalidade. Já em Forgotten Island, a ideia central é a experiência das memórias: como duas pessoas podem se lembrar de um mesmo momento de formas diferentes. Por isso, usar quem está narrando ou revivendo cada lembrança para alternar o estilo de animação acabou se tornando uma abordagem libertadora.
Ele lembrou que a DreamWorks nunca se prendeu a um único estilo visual, citando obras como The Prince of Egypt, que já fugia do padrão associado à Disney. Crawford afirmou que essa liberdade criativa é uma das grandes vantagens de trabalhar no estúdio.
Ritmo e trilha sonora
Mercado falou sobre o ritmo acelerado do filme, que usa cortes sincronizados com músicas, como Don’t Stop Believin’. Ele citou como inspirações Edgar Wright e o filme Blindspotting, além da sensibilidade musical de Daveed Diggs e do grupo clipping.. Segundo ele, a história é sobre amadurecimento e amizade naquela última noite, refletindo aqueles grandes momentos de festa com os amigos em que o tempo passa voando.
Crawford acrescentou que esse ritmo propulsivo cria contraste com os momentos em que o filme desacelera, especialmente no terceiro ato, o que torna as emoções mais impactantes. Mercado ainda mencionou a letra da música A Parallel World, do grupo Bini, que diz "os melhores momentos da nossa vida, nós rimos tanto, nós choramos juntos".
Reação pessoal da família
Quando questionado sobre a reação da esposa, nascida nas Filipinas, Crawford contou que grande parte da história é inspirada nela e uma homenagem a ela. Ele relembrou uma cena perto do fim do filme em que Raissa conversa com a pequena Jo, momento que ele escreveu pensando na esposa e em uma foto dela aos nove anos, sorrindo no país de origem. Durante a première, ao assistirem juntos, ela se virou para ele com uma lágrima no rosto — algo que o diretor classificou como a reação mais valiosa de todas.
Mitologia filipina e a inspiração em Ghibli
Mercado contou que, após o anúncio do filme, cometeu o erro de ler os comentários online, onde muitas pessoas cobravam determinadas criaturas e histórias. Ele percebeu que não seria possível agradar a todos e que o melhor era contar a história que a dupla queria contar. Ele destacou ainda o trabalho do consultor cultural Kirby Araullo, especialista em história e folclore, que compreendeu a intenção criativa da equipe e ajudou a manter uma adaptação coerente com a fonte. Crawford completou que o consultor também compreende o humor peculiar do filme.
Mercado revelou que Spirited Away foi uma grande inspiração. Segundo ele, Miyazaki apresentava um mundo com referências específicas de mitologia e folclore sem entregar tudo de bandeja ao público, apenas imergindo o espectador na fantasia. Os diretores buscaram seguir essa abordagem, respeitando a inteligência da audiência e explicando um pouco mais por meio do ponto de vista de Jo e dos ensinamentos de sua Lola.
Por fim, Crawford lembrou uma observação de Mercado: a ousadia de fazer do portal o sol da bandeira filipina, funcionando como um convite para que o público, junto das protagonistas, salte naquela aventura e saia do filme com vontade de aprender mais sobre a mitologia filipina.
