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Aftermath defende que é hora de ‘matar’ o Windows e migrar para o Linux
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Aftermath defende que é hora de ‘matar’ o Windows e migrar para o Linux

Em artigo de opinião, o Aftermath argumenta que o Windows 11 se tornou insustentável e defende a migração para o Linux, citando pressões éticas contra a Microsoft e iniciativas de governos como França e Holanda.

O portal Aftermath publicou um artigo de opinião que defende o abandono do Windows em favor do Linux. O texto sustenta que o Windows 11 se tornou uma experiência problemática no dia a dia e que a Microsoft deixou de honrar o compromisso que mantinha com os usuários comuns.

Entre as críticas estão o excesso de softwares indesejados, a inclusão de recursos de inteligência artificial como o Copilot, a controversa função Recall — que fazia capturas de tela do computador — e a exibição de resultados de busca do Bing no menu Iniciar. O artigo também menciona o compromisso público do chefe do Windows, Pavan Davuluri, de melhorar o sistema.

O texto traz ainda uma crítica ética à Microsoft. O movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções), de liderança palestina, classifica a empresa como “alvo de pressão” e lançou uma campanha específica para boicotar o Xbox. Em nota enviada ao Aftermath, o BDS afirmou que a Microsoft é “cúmplice há décadas do regime de apartheid de Israel, da ocupação ilegal e do genocídio em curso contra os palestinos” e pediu pressão intensificada sobre a empresa.

O artigo também destaca iniciativas de governos que buscam reduzir a dependência de tecnologias americanas. A França, por meio da Diretoria Interministerial de Assuntos Digitais (DINUM), está migrando para uma versão do NixOS chamada SécurixOS. Já o governo holandês desenvolve sua própria variante do NixOS, o DAWO (sigla em inglês para Ambiente de Trabalho Digital Autônomo).

O podcaster e autor Paris Marx declarou ao Aftermath que “as empresas de tecnologia dos Estados Unidos e seu governo não podem mais ser confiáveis”, o que torna a dependência da tecnologia americana “uma ameaça inerente à soberania”.

Na parte dedicada às alternativas, o texto aponta avanços do Linux no uso doméstico e nos games, impulsionados pelo Steam Deck e pelo SteamOS, da Valve, e pela camada de compatibilidade Proton, que permite rodar jogos de Windows no Linux. Segundo o artigo, o desempenho chegou ao ponto de a própria Microsoft usar jogos rodando via Proton no SteamOS como referência de desempenho para o Windows.

O artigo reconhece, porém, que ainda há obstáculos importantes para uma migração completa:

  • Adobe: o Photoshop e o pacote da Adobe não têm alternativa considerada satisfatória no Linux; o GIMP é apontado como opção, mas o texto o considera limitado. O pacote Affinity, adquirido pela Canva, é citado como possível caminho, inclusive via WINE.
  • Desenvolvimento de jogos: para criar jogos para Windows, o Windows ainda é tido como necessário. O desenvolvedor Rami Ismail afirmou que “o maior ponto de estrangulamento é a inércia, a compatibilidade e a participação de mercado”.
  • Anticheat: muitos publicadores resistem a implementar sistemas anticheat no Linux, o que limita a compatibilidade de diversos jogos.
  • Hardware: alguns equipamentos não têm suporte robusto no Linux, como a interface de áudio RME Babyface Pro FS. A Valve abriu o SteamOS para placas Nvidia, e o suporte tem melhorado.
  • Aplicativos específicos: softwares de áudio, CAD, editoração, roteiro e tradução, além do Microsoft 365 e do Teams, seguem sem alternativas nativas completas no Linux.

O desenvolvedor independente Robert Yang relatou ao Aftermath ter migrado com sucesso para o CachyOS, instalando e rodando jogos como Cyberpunk 2077 sem problemas. A barreira, segundo ele, apareceu no trabalho com a Unreal Engine 5, já que os arquivos compilados do projeto só funcionavam no Windows, o que o obrigou a voltar ao sistema da Microsoft.

O podcaster e defensor do Linux no desktop Will Smith destacou que, no Linux, “ninguém está tentando me vender coisas dentro do meu sistema operacional ou me enganar para usar seus serviços”.

O texto encerra afirmando que, apesar das dificuldades, acredita ser possível abandonar o Windows de vez e que “nosso futuro depende disso”. A reportagem original está disponível no Aftermath.

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