Morre Tetsuya Chiba, criador do mangá “Ashita no Joe”, aos 87 anos
O mangaká Tetsuya Chiba, coautor de “Ashita no Joe”, morreu aos 87 anos em decorrência de uma síndrome mielodisplásica.
O mangaká Tetsuya Chiba, coautor de “Ashita no Joe”, morreu no dia 22 de outubro, aos 87 anos. A informação foi divulgada à imprensa japonesa nesta terça-feira (27).
Atual presidente da Associação de Cartunistas do Japão, Chiba era um dos quadrinistas mais prestigiados do país. Segundo a imprensa, a causa da morte foi uma síndrome mielodisplásica, doença que faz a medula óssea deixar de produzir células de sangue saudáveis.
Ainda em atividade, o mangaká havia interrompido a publicação de seu mangá autobiográfico, “Hinemosu Notari Nikki” (Diário de uma Vida Tranquila, em tradução livre), no início do mês, por questões de saúde.
Chiba é amplamente reconhecido por “Ashita no Joe”, mangá de boxe publicado originalmente entre 1968 e 1973, em parceria com o roteirista Asao Takamori. A obra se tornou um verdadeiro fenômeno da cultura pop japonesa, servindo como símbolo da classe trabalhadora e de toda uma geração de jovens dos anos 1970. Ao longo das décadas, duas adaptações em anime e dois filmes foram produzidos, consolidando seu legado na indústria.
No Brasil, o mangá é publicado pela NewPOP, que lançou em setembro o oitavo volume da série, prevista para ser concluída em 12 edições.
Nascido em Tóquio, em 11 de janeiro de 1939, Chiba passou a infância na Manchúria, então ocupada pelo Japão e hoje parte do nordeste da China, e estava lá quando a Segunda Guerra Mundial terminou. A família voltou ao Japão em 1946, depois de meses muito difíceis. Foi nesse período que Tetsuya, o mais velho de quatro irmãos – entre eles o também mangaká Akio Chiba –, começou a inventar histórias para distraí-los.
Dono de uma carreira prolífica, iniciada em 1956, o artista se tornou um dos primeiros criadores de mangá a integrar a Academia de Artes do Japão, em 2022, dois anos antes de receber a conceituada Ordem da Cultura por sua contribuição ao patrimônio artístico nacional. Antes, já havia sido condecorado com a Ordem do Sol Nascente, em 2012, e com o título de Pessoa de Mérito Cultural, em 2014.
A editora japonesa Kodansha, que publica “Ashita no Joe”, divulgou um comunicado nesta terça-feira (27) lamentando o falecimento do artista.
“Ao longo de 70 anos de carreira, o mestre Tetsuya Chiba deixou inúmeras obras-primas e sempre teve um amor e uma confiança ilimitados pela criação que é o mangá”, diz a nota.
“O ‘Prêmio Tetsuya Chiba’, nosso prêmio para novos talentos, completa 46 anos desde a sua criação. Muitos novos mangakás deram os primeiros passos rumo à profissão levando consigo as palavras do mestre Chiba e continuam em atividade até hoje. A enorme contribuição do mestre Chiba ao mundo do mangá foi insubstituível”, conclui.
