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7 animes clássicos dos anos 2000 que envelheceram mal e não valem mais a pena
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7 animes clássicos dos anos 2000 que envelheceram mal e não valem mais a pena

De Vampire Knight a Lucky Star, o CBR listou sete clássicos dos anos 2000 que marcaram época, mas que hoje não sustentam mais a reputação entre os fãs.

Os anos 2000 foram uma década notável para o anime, repleta de séries que os fãs ainda consideram obras-primas atemporais, de fenômenos como Naruto e Death Note a favoritos de nicho como Mononoke e Kino’s Journey. Muitos desses títulos seguem sendo revisitados com frequência, com valor que vai além da nostalgia.

Nem todo clássico daquela época, porém, resistiu ao tempo. Há diversos animes que, na época, eram conhecidos por praticamente todos os fãs e que hoje já não são vistos com o mesmo prestígio. De desastres do tipo “tão ruim que é bom” a séries antes queridas que simplesmente não envelheceram bem, o portal Comic Book Resources reuniu sete clássicos dos anos 2000 que, segundo a publicação, já não valem o tempo do espectador.

Vampire Knight: o romance proibido e tóxico que perdeu o brilho

No meio e no fim dos anos 2000, o romance gótico e sombrio estava em alta, e o anime não ficou de fora dessa tendência. A série mais proeminente desse período foi Vampire Knight, adaptação melodramática de um mangá shojo centrada em um triângulo amoroso entre Yuki, a protagonista; Kaname Kuran, um elegante vampiro; e Zero Kiryu, um caçador de vampiros atormentado. O fascínio do romance proibido, a estética gótica e a popularidade dos vampiros na época explicam por que a obra virou um prazer culposo de toda uma geração.

Com o tempo, porém, o gênero e a estética perderam força, e os temas e sensibilidades da série também não envelheceram bem. Vampire Knight recorre a diversos clichês problemáticos, romantizando relações abusivas e manipuladoras, enquanto a protagonista acaba soando pouco mais do que uma figura de identificação para o público. A maior controvérsia envolve justamente uma das principais tramas românticas entre Yuki e Kaname, que já era desconfortável e se tornou ainda mais alarmante quando os dois foram revelados como irmãos.

Green Green: humor perturbador em vez de engraçado

As comédias românticas picantes eram febre nos anos 2000, e, embora muitas ainda sejam lembradas com carinho, várias se tornaram relíquias que os fãs prefeririam esquecer. Entre elas está Green Green, série ecchi que cruza a linha entre a brincadeira inofensiva e a grosseria insuportável e perturbadora. A trama se passa em Kanenone Gakuen, um internato só para garotos que aguarda ansiosamente a chegada de alunas de uma academia feminina local, como parte de um teste para unir as duas escolas em um ambiente misto. As meninas, porém, encontram adolescentes descontrolados que não sabem como se comportar perto do sexo oposto e mal são contidos por Yuusuke, o mais “normal” dos garotos.

O fan service de Green Green pode ser considerado repulsivo até para os padrões da época. A série transforma abuso sexual, comportamento pervertido e desrespeito total a limites em piada, enquanto nenhum de seus personagens, incluindo as heroínas, demonstra qualquer qualidade redentora, mesmo quando o roteiro tenta colocá-los em situações mais sérias e dramáticas.

Love Hina: as tsundere violentas não sustentam uma boa rom-com

Outra comédia romântica clássica da mesma era, Love Hina continua sendo um favorito nostálgico de muitos fãs. Ainda assim, a maioria de quem assiste à série hoje provavelmente a considerará não só datada, mas também bastante desconfortável na forma como trata o romance. A história acompanha Keitaro, um garoto que precisa estudar para o vestibular e se muda para o dormitório feminino de sua avó.

No novo lar, Keitaro conhece um grupo agitado e excêntrico de moradoras, o que coloca em movimento uma trama típica de harém. O que Love Hina considera engraçado, romântico ou encantador, porém, não reflete a sensibilidade atual do gênero. Na época, a obra foi pioneira em diversos clichês associados aos animes de harém.

Hoje, o uso excessivo de violência pastelão, os dramas causados por mal-entendidos e a postura abusiva de Naru Narusegawa como tsundere soam frustrantes em vez de inovadores. A série também não ajuda ao manter a mesma fórmula durante toda a sua duração: o abuso sofrido por Keitaro, tratado como piada, se torna repetitivo até o cansaço, enquanto o enredo romântico principal não avança.

School Days: a virada chocante foi a única coisa que tornou a série famosa

Diferentemente das séries anteriores, School Days não se tornou um clássico por ter uma base de fãs apaixonada ou por ser prestigiada na época. Esse infame anime de “romance” de 2007 entrou para a história como um clássico “tão ruim que é bom”: os fãs ficaram tão perplexos com um desenrolar de trama inesperadamente violento e desequilibrado que assistiam à série apenas pelo choque.

Inicialmente, School Days se apresenta como um harém comum e medíocre, distinto talvez apenas por como todos os personagens são visceralmente antipáticos. O estudante comum Makoto Itou entra em um triângulo amoroso com duas colegas, Sekai e Kotonoha. De forma inesperada, porém, o relacionamento evolui para um escândalo de infidelidade desmedido que culmina, notoriamente, em um banho de sangue. Poucos esperariam que uma série tão discreta terminasse com dois terços do elenco principal morto pelas mãos uns dos outros. Essa escalada brusca é justamente o que tornou School Days popular, mas, sabendo da reviravolta de antemão, acompanhar a série de fato, que consiste basicamente em melodrama escolar tedioso, é mais frustrante do que divertido.

The Familiar of Zero: nem os fãs atuais de isekai se interessariam

O isekai costuma ser visto como uma tendência moderna do anime, ainda que histórias sobre aventuras em “outro mundo” já fossem proeminentes no meio muito antes de o gênero se firmar como tal. Um dos clássicos pioneiros do isekai é The Familiar of Zero, comédia fantástica que acompanha Louise, uma maga sem talento de família nobre que acidentalmente invoca Saito, um adolescente japonês comum, para o seu mundo.

Quando The Familiar of Zero estreou, foi considerada, com razão, inovadora e envolvente. Mesmo na época, porém, os fãs não ignoravam os problemas evidentes da série. Louise há muito é considerada uma das protagonistas femininas mais insuportáveis dos animes de romance devido ao abuso constante contra Saito, e o pior é que ela nunca passa por nenhum crescimento pessoal significativo.

É inegável que The Familiar of Zero influenciou fortemente o gênero isekai, mas a maioria dos fãs modernos consideraria seu foco na fantasia limitado, enquanto as confusões românticas que ocupam a maior parte da série logo se tornam repetitivas. Entre a dinâmica tóxica de Louise e Saito e a história errante e sem rumo, não é difícil entender por que a obra perdeu o favor do público.

Fairy Tail: arcos repetitivos irritaram os fãs

Lançado no fim dos anos 2000, Fairy Tail foi um dos maiores sucessos de batalha shonen de sua geração. Em comparação com seus contemporâneos, porém, a série não só nunca ganhou o mesmo impulso, como também enfrentou bem mais críticas do que praticamente qualquer aventura shonen de longa duração da mesma época, e não sem motivo.

Seguindo uma aventura fantástica bastante convencional estrelada por Natsu Dragneel, um mago caçador de dragões, e seu animado grupo de amigos, Fairy Tail começou bem, mas logo caiu na armadilha das tramas repetitivas. A situação piorou porque a história claramente não tinha um objetivo final concreto e evitava aumentar as apostas por medo de tornar qualquer decisão narrativa ousada permanente. Além das falhas de roteiro, Fairy Tail era rotineiramente criticada pelo excesso desnecessário de fan service. Ainda assim, enquanto a maioria dos fãs modernos prefere não investir tempo nessa relíquia esquecida do fim dos anos 2000, muitos ainda lembram da série com carinho, sobretudo pela personalidade única e cativante de seus personagens.

Lucky Star: um produto de sua época que os fãs atuais não conseguem acompanhar

Às vezes, um clássico do passado se torna difícil de assistir não por falhas objetivas da obra, mas simplesmente por grandes mudanças nas tendências da indústria e no gosto do público. No auge do boom de moe dos anos 2000, Lucky Star era o símbolo máximo do anime de “garotas fofas fazendo coisas fofas”, uma série slice-of-life bastante simples sobre o dia a dia de quatro amigas do ensino médio.

O que tornava Lucky Star especial era o quanto a série estava sintonizada com a cultura otaku da época. Não é exagero chamá-la de cápsula do tempo do fandom de anime de meados dos anos 2000, já que fazia referências constantes a animes, videogames e fenômenos da cultura pop então populares, sempre com uma perspectiva muito consciente do público. Hoje, poucos fãs que não viveram o auge de Lucky Star entenderiam seu apelo: o ritmo é lento, não há uma trama central e os assuntos abordados já não são relevantes. Mesmo assim, a maioria de quem assistia à série em 2007 ainda a adora como um favorito nostálgico.

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